Um Museu querendo ser ESCOLA… Feito por Educadores!

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A Encenação da Paixão de Cristo 2011 em Maringá foi patrocinada pela primeira vez através da Lei Rouanet. O valor captado foi duas vezes maior que no ano de 2010.

Somos a Família Pereira. Começamos a discutir a cultura de nossa comunidade, falando sobre memória e patrimônio cultural, seja ele material ou imaterial.

Nossa família, que a exemplo de tantas, veio para o Paraná, inicialmente para Maringá e depois para Jussara, já que nossos pais e tios adquiriram terras naquele município, onde se aventuraram na cafeicultura.

Percebemos, ao longo de nossa trajetória, que a história e nossas memórias familiares estavam se perdendo no tempo.

Somos sim, nós os responsáveis pela manutenção da memória, que, em grande parte é apenas contada de forma oral, de geração a geração.

Notadamente, hoje, percebemos a existência de uma dicotomia muito grande entre a história dos que nessa terra, ainda nua, chegaram, daqueles que são seus filhos, netos e bisnetos, já muito urbanos, e que não reconhecem, muitas vezes, a relação direta que existe entre a sua realidade, e a história vivida no campo por seus avós.

Pensamos: “Precisamos preservar nossa historia!”.

E foi a partir daí que idealizamos espaços de educação não-formal ou espaços museais e museus, que pesquisam, guardam e difundem o conhecimento, a cultura, os hábitos, as crenças das comunidades onde se inserem e representam.

Somos de um município, Jussara, que passou por grandes transformações sociais e econômicas, assim como grande parte dos municípios da região norte e noroeste do Paraná. Em 1975, a grande geada foi um dos fatores que motivou a saída de um número significativo de pessoas do campo, que foram em busca de uma nova história em outros Estados e regiões brasileiras.

Jussara chegou a ter 23 mil habitantes, hoje conta com cerca de 7 mil. A geada não mudou apenas a paisagem, que predominantemente era constituída pela cultura do café, mas mudou também a relação entre as pessoas.

É nesse momento que se cria uma ruptura entre familiares e é onde o vínculo entre primos, tios, avós começa a se desfazer.

E foi buscando o caminho inverso que passamos a propor ações de preservação da memória do povo da região norte e noroeste do Paraná, que tem em comum uma história de perdas e ganhos, mas em resumo, uma belíssima história de prosperidade.

Criamos o IMMV, que propõe ações culturais no campo museal. Chegamos como professores no universo da museologia. Mais que professores, chegamos como paranaenses, paranaenses de Jussara, de Maringá, de Cianorte, de Marialva, que em dois anos, passou a semear novos grãos na museologia brasileira.

Participamos de fóruns e eventos nacionais, levamos temas bem paranaenses como o cooperativismo, agricultura, para uma área da cultural que não nos conhecia.

O IMMV, tão pequeno, ficou grande, não pela sua estrutura, mas pelo que propõe. As nossas propostas e o caráter inovador do que estamos construindo, nos tornou referencia para vários museus do interior do Sudeste, do Sul do país.


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